09 maio 2008

Eu tenho um fusca e um violão...

 



     Gosto muito de pensar nas mudanças de costumes que vem acontecendo com a entrada da tecnologia no cotidiano nas pessoas. É aquela coisa: quem tem menos de 15 anos não sabe nem preencher um envelope de carta direito, por que nunca usou um. (E eu tive até aula de Educação Moral e Cívica, que tinha como uma das lições o uso de correspondências...)



     E nessa esteira de pensamentos fiz uma reflexão sobre meu meio de deslocamento motorizado, um fusca. É, aquele carro em formato semi-circular que ainda insiste a rodar por aí.



     Não é a minha primeira experiência com fuscas, na minha adolescência meu pai resolveu comprar 2 (!!) fuscas pra ele, já que ninguém mais tinha habilitação em casa. Eu até dirigia, só não com a frequência de agora. E tenho que confessar que cansei!!!



     As "modernidades" dos carros atuais, como ajuste de bancos, cintos retráteis, bomba do limpador de parabrisa elétrica, 5 marchas, motor que não tenta te deixar surdo... tudo isso é um sonho no fusca. Conforto não é item nem opcional, esse passou longe do projeto da VW.



     Quando vou dar carona pra alguém pela primeira vez eu explico que fusca é um mundo diferente, bem diferente, do que estão acotomados. Não tentem ajustar a distância do banco com relação ao painel, você pode perder um dedo (pelo que andei lendo o Fox/CrossFox tem um opicional desses); o cinto precisa ser colocado jutando as duas partes soltas que o compõe (pergunta que mais ouço: é que nem os de bugre, é?? - só que os de bugres é que são iguais aos do fusca); o encosto é assim mesmo, meio afastado demais. E não sai do lugar; Por favor, não feche a porta do passeiro com o banco rebatido, pois o fusca é um carro assimétrico e o banco direito fica muito próximo da porta, se o mesmo estiver rebatido vai ficar imprensado no apoio de braço da porta.



     Eu quase nunca deixo alguém dirigir meu "carro", pois sei o quanto é complicado. O parabrisa que é muito vertical, o volante que é grande (você sempre esbarra a perna nele na hora de entrar), a bombinha ao lado da embreagem para jogar água no vidro dianteiro (e se você não tiver força, não limpa), os limpadores que são pequenos para o vidro que já é minúsculo. Tentar passar num espaço apertado sempre gera um amassado no parachoque que fica a mais de um palmo da lataria e ninguém está acostumado com isso. Se tentar usar os retrovisores, cuidado: eles são tão eficientes quanto espelhinho de maquiagem.



     O pneu furou, e agora?? Coloque o estepe, que é MAIOR que os outros 4 pneus e saia rodando. Só lembre-se de tomar cuidado que o carro vai ficar torto devido a diferença de tamanho das rodas. E nunca, leia bem NUNCA, faça uma curva a mais de 40 km/h. Você vai passar pela maior emoção da sua vida automobilística.



     Falando em emoção, a direção do fusca tem um pequena folga, o que faz com que você comece a virar o volante e o carro não mude a tragetória. Então pode ser que você resolva usar o freio, somente por instinto. E aí vai perceber que ele tem dois modo de funcionamento: seco e molhado. Quando seco, leva uma eternidade para parar. Quando molhado, é só encostar no pedal que ele trava as rodas. Simples assim.



     Apesar de todos esses detalhes, você resolve viajar com mais 4 comparsas (ou vítimas). Avise-os de não levar muita bagagem (no máximo uma trouxa para cada), o carro não tem nenhum espaço que possa ser chamado de porta mala. E mesmo assim vocês caem na estrada (tem louco pra tudo). E na primeira curva acima de 70 o motorista percebe que o carro não seguem bem os comandos, parece que ele precisa de mais pista pra rodar. E esqueça seu lado Ayrton Senna, pois todos os carros irão lhe ultrapassar...



     Agora vem a parte mais engraçada da brincadeira: quase todo mundo que descobre que eu tenho um fusca fala que queria ter um. Eu já retruco perguntando se já teve um. Invariavelmente escuto que a pessoa acha o fusca simpático/bonitinho/charmoso. Não gosto de desejar o mal a ninguém, mas deixe quem falou isso ter um fusca para mudar de opinião...



 



PS: Eu também tenho um violão, mas ele é novo, tá com a pintura em bom estado e com a mecânica filédocabrunco. Troquei as cordas pouco tempo atrás por outras importadas. =D



PS²: Não  tenho nenhuma nega chamada Teresa. Nem com qualquer outro nome. =/

7 comentários:

Carol... disse...

Saudades da sua juventude?
kkk parece um velho falando!

Mas pois é, uso e abuso da minha. Por enquanto ainda não soa ridículo.

Bem, não quero um fusca, quero um Gurgel. =]

e tenho um violão tb.

xeru

Marilia disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkk

ri demais aqui...
já andei muito de fusca na minha infância..meu pai teve vários..
Teve uma época inclusive q eu andava em pé naquele espaço entre os bancos do passageiro e do motorista..
kkkkkk

capaz de eu ainda caber ali! Preciso verificar... kkkkkkkk

beijo!

Graziele Alencar disse...

Pra fechar com chave de ouro s� faltou a nega... rssss
Bom final de semana!
Beijos.

Raquel disse...

thitoo

saudades!

Sobre seu fusca, só tenho a dizer:
O que importa é que anda!

beijão

tai disse...

Pois é... tu, ao menos, não tá na classificação de pedestre nem de carona (sei nem qual das duas é pior) E tb já andei muito de fusca. Quem nasceu na década de 80 e não andou em um não teve infância...

Jana disse...

ri muito lendo isso!

Pq eu andei muuiiiitoo de fusca (aqui no sul a gente fala fuca), meu irmão tem vários por anos, era meio maluco por fuscas, cheio de coisas o tal do fusquinha.

Aprendi a dirigir num, então eu sei dirigir qualquer carro, pq depois que vc dirigi um desses vc dirige qualquer coisa rs!

Meu maior trauma foi nunca ter aprendido violão!

beijo

dutraadventista disse...

thitoo, gostei muito da historia porque tambem tenho um fusca,ele e tudo isso que vc falou ai,mas como vc disse tem louco pra tudo,não sou apaixonado por fusca,pq se fosse ja tinha passado, pois ele ja me fes passar muito bocados,mas sou um eterno amante dele assim mesmo.Não me pergunte pq?! porque amor não explica aceita. abraços jonas