31 dezembro 2010

Fim de ano

      2010 termina com poucas coisas realmente dignas de aplausos. Não que o ano tenha sido ruim; ele só não foi o que poderia ter sido.

      Acho que chego a esse dia mais ciente de quem sou como pessoa e do que preciso fazer para ser alguém melhor. Não foi e nem está sendo fácil, estou tendo que engolir um pouco o orgulho que sempre cultivei como todo esmero e ainda me é precioso.

      E que os dias que virão, não só em 2011, sejam melhores e mais alegres que foram os de 2010. Pra todo mundo.

27 dezembro 2010

Top Thito 2010 - Música

      Seguindo a lista de tops, agora vou falar de música. O ano teve muita música nova e ainda assim foi abaixo da média, tudo por culpa dos filmes. Pensei em fazer uma lista para músicas, outra para discos e mais uma terceira pra shows, mas percebi que seria inviável pelo fato de não me lembrar de tudo isso. Minha memória está começando a falhar para certos detalhes e não estou com vontade de me pregar uma peça.

      Eu ia escrever um top alguma coisa sobre música. Desisti. Só vou citar aqui o que me lembro (faltam 4 dias pra acabar o ano e eu ainda estou escutando coisa nova).

Luisa Maitta
Karina Buhr
Cabedal
Eddie

Tulipa Ruiz
Alessandra Leão
Alice Ruiz
Ave Sangria
Cidadão Instigado
Cumadre Florzinh
a
Dea Trancoso
Erika Machado
Lulina
Patricia Polayne

Nevilton
Otto
Renata Rosa
Air
Beth Rowley
Feist
Jason Mraz
Juliette Greco
Laura Marling
Madeleine Peyroux
Metric

      Se for escolher, vai atrás de quem está em negrito. O melhor disco do ano, pra mim, foi o da Karina Buhr. Como não pude ver o show dela, fico com o da Patricia Polayne. E nem me peçam pra escolher uma música.

17 dezembro 2010

Top Thito 2010 - Filmes

      O ano está por acabar e muita coisa se passou, não foram só os dias e as horas. E aí que resolvi fazer uma seleção dos melhores do ano (coisa clichê, eu sei). Vou dividir por categorias, não necessariamente com o mesmo número de indicações. Vou tentar fazer uma postagem por dia, sobre cada categoria, com algum comentário sobre as escolhas. E os vencedores são:

1º Scott Pilgrim vs O mundo
Se você não for nerd/geek/gostar de video game, pule para a próxima opção. Para mim o filme mais divertido do ano e também de todos os tempos. Adaptação de uma HQ com o mesmo nome, é uma história nonsense sobre... superação. A trilha sonora é muito boa (esperem o top de música), os efeitos especiais bem legais e o filme é bem movimentado. Pra mim foi o melhor filme do ano.

2º A origem
O filme mais cabeça do ano. O mais bem feito, o que melhor prende atenção e o que mais faz comentar depois de ter assistido. Não é um filme só de ação ou só de drama, mas uma mistura muito bem feita desses dois gêneros. Elenco perfeito, trilha sonora que cria uma imersão ao filme, cenários maravilhosos. Chris Nolan pra presidente do mundo!

3º 500 dias com ela
Isso não é uma comédia romântica. Tem a melhor trilha sonora dos últimos tempos (assim como Educação), conta com uma das atrizes mais lindas que existe (Zooey Deschanel) e um ótimo ator (Joseph Gordon-Levitt)

4º Kick ass
Mais um filme pretensamente sobre super-hérois, mais uma vez um filme sobre superação. E o que é a Hit girl?? Quero uma daquela pra mim. Como guarda-costas, claro. =D

5º A concepção
O filme mais estranho do ano. Bem porra louca mesmo. Matheus Nachtergaele roubando a cena em mais um filme, se perfazendo de guia filosófico de uma juventude rica e sem consciência. É um filme pesado, denso. E é ótimo por isso mesmo.

6º Departures
Vencedor do oscar de melhor filme estrangeiro de 2009, mostra uma face do japão que até os japoneses estão esquecendo. Tradições, ritos e... partidas. A cena em que o protagonista toca violoncelo numa colina gramada é absurdamente linda.

7º Os desafinados
Quanto filmes nacionais você já viu em que atores tocam e cantam, além de atuar? Esse, pra mim, é o primeiro e devo dizer que é muito bom. Tá Jair Oliveira não conta, ele já é cantor. Porém isso não diminui em nada a qualidade do filme.

8º Nine
Eu já falei dele recenemente no blog. Procura o post (aproveita lê mais algumas coisas).

9º Ilha do medo
Tem algo parecido com A origem (inclusive o Leonardo di Caprio). Perdeu posições porque eu assisti depois. Kkkkkkkkkkkkk

10º A prova de morte
Filme de Tarantino = violência+sangue+gostosas+música de primeira. E tem a cena da lap dance, que já vale o filme todo.

      Como alguns podem ter percebido, não são os melhores filmes lançados em 2010, mas os melhores filmes que eu vi em 2010. Esse ano assisti uma quantidade absurda de filmes (acho que passei dos 200), então foi meio complicado escolher esses.

      Até o próximo Top Thito 2010

16 dezembro 2010

Do you remember, Laura?

Quando era pequeno
Acordava pra saber
Se os brinquedos
Estavam se mexendo

E todo dia
O sol parecia ser
De neve por dentro

Quando eu colocava
Os meus pés no chão
Ficava frio até o meu cabelo
Da minha janela dava para ver
O mundo inteiro

Eu juro que eu vi um cometa
Bater na minha janela
Eu juro que tinha neve na minha rua
Antes do sol
Eu juro que eu vi um cometa
Bater na minha janela
Eu juro que tinha neve na minha rua
Antes do sol aparecer

Quando era pequeno
Achava que era grande
Quando eu cresci
Eu encolhi


Eu era invisível
Era ninja e famoso
E todas as batalhas
Eu venci

Nada me assustava
E tudo que eu gostava
Era comer biscoito, ver TV e brincar de Playmobil
Minha avó fazia papa de farinha láctea
E o dia terminava quando eu fechava os olhos pra dormir

Eu juro que eu vi um cometa
Bater na minha janela
Eu juro que tinha neve na minha rua
Antes do sol
Eu juro que eu vi um ET
Bater na minha janela
Eu juro que tinha neve na minha rua
Antes do sol aparecer


Música da Lulina. Linda.

03 dezembro 2010

High fidelity

      O destino é um estrada de mão única. Só se anda pra frente. E ponto final. O tempo não volta, a vida também não.

      Mas talvez em alguma parte do caminho você se encontre num beco sem saída ou numa bifurcação sem saber como seguir adiante. Uns sentam e choram, outros seguem na direção que o nariz aponta. Eu resolvi perguntar ao meu passado, onde talvez possa estar o mapa para me mostrar não o futuro, mas o presente.

      Sei que não sou o mesmo de alguns anos atrás. Sei que as pessoas também não. Ainda assim, posso descobrir algo que deixei passar e assim encontrar um rumo. Aproveitando a metodologia do filme Alta Fidelidade (quem nunca viu, veja logo. É ótimo), resolvi uma lista. Um top5. No filme é sobre os foras que ele levou das namoradas. No meu vai ser sobre as garotas com quem me relacionei e hoje não possuo nenhum tipo de contato. Vamos ao nomes (em ordem de procura):

1 - Dani
2 - Flávia
3 - Maisa
4 - Anne
5 - Cindy

      Com cada uma as coisas aconteceram de uma forma diferente, caminharam por uma via qualquer que deu em nada. Antes meu orgulho e minha pretensa independência me fazia não me preocupar com as pessoas depois que a relação era desfeita. Percebi depois de tanto tempo (e de tantas mágoas) que tudo isso é besteira.

      Se tive uma relação, se me doei para que aquilo existesse e a outra parte também, eu tenho que me importar. Também acho que tenho que entender. Ao menos tentar.

      Não estou aqui dizendo que quero reviver o passado. Isso não existe. Seriam duas pessoas diferentes do que eram antes, procurando algo que se perdeu no caminho. Não daria certo. Também não quero mudar o que já aconteceu (na verdade, não acho que eu possa fazer isso). Ficará como está, mas talvez eu veja tudo de uma forma diferente depois de conversar com cada uma delas.

      Assim como no filme, talvez não seja possível ter essa conversa com todas. E, também como no filme, já tenho a trilha sonora para isso.

A triste hora do fim se faz notória

"Não há mais lenha para queimar, tempo para passar ou o que conversar. As promessas já foram esquecidas, o futuro está numa lata de lixo bem escondida no quintal. Nenhuma palavra dita vai desfazer o que já não tem volta e então aquilo que era tudo passa a ser um nada. Talvez lembranças.

Difícil não haver mágoas. Elas ocupam os lugares onde antes havia amor, carinho e afeto. Admiração se traveste de raiva e sai pela rua brincando carnaval, sem que ninguém no mundo entenda o samba enredo. Alegorias não explicam esse mestre-sala trôpego, enquanto a porta-bandeira arrasta o estandarte pela vala suja da solidão.

E então só resta dizer adeus e seguir em frente..."

30 novembro 2010

Limpando a casa

      Chega mais um final de ano e esse blog anda às moscas. Ano passado foi quase assim, mas naquele momento eu tinha um motivo forte o suficiente para tirar umas férias daqui. E tirei. Foi bom, ajudou e me fez voltar a escrever. Só que o reveion está aí e eu não consigo escrever. Antes era falta de possibilidade de publicar, agora é falta de organização de idéias para escrever. Prometi uma reforma de layout do blog ainda esse ano e espero cumprir. E também a melhorar o nível dos escritos, porque últimamente só vem letra de música.

      Então aguardem possíveis mudanças esse fim de ano por aqui.

26 novembro 2010

Into shade*

Kiss on the corner of the mouth
While plants grow strong behind the glass
Proximity is what it is
And curves repeat to disarray
The roots could grow right through the glass
But distance also has a ring
Glimpses when we turn away
The elemental can’t hold sway
Moisture in and moisture out
Nestled in down and beads of sweat
Every hour has its day
You shut your eyes to keep me out
But I don’t need
To see
You stand directly in the light
Flush with the door
Then shade
Two scenes that cut together well
Reflecting things they never say
Like stripes that gather at the waist
These streets meet only once a day
These rooms have witnessed brash display
Now they impress themselves in turn
Descending from the highest note
Taking long and easy strides
All the shivers left outside
Astringency has a rich past
Now get out of my sight


* Letra do Arto Lindsay e música do Lucas Santtana

17 novembro 2010

Nine

      Bem, o tempo de acesso anda curto (no momento estou na sala da minha orientadora de monografia), mas dou meus pulos pra não abandonar meu blog. Tem várias coisas que gostaria de escrever e que acabo deixando passar porque na hora da inspiração não tenho internet.

      Ultimamente tenho assistido muitos filmes. Novos ou velhos, de todos os tipos. E com o advento da alta definição, cada vez mais fico espantado com a qualidade de imagem dos filmes em Blu-ray. Tenho alugado um por semana e tem valido a pena. O preço é quase o mesmo que eu pagaria no cinema, mas posso assistir com meus amigos, minha família ou até mais de uma vez. Sai barato.

      Esse final de semana revi Assassinos por natureza, que é um filme bem louco, sem noção mesmo (coisa do Tarantino), mas também muito bacana. Vale a pena conferir.

      No entanto, é sobre Nine que eu realmente quero falar. Um ótimo musical, dirigido por Rob Marshall (que também foi o responsável por Chicago), com um elenco absurdamente bom e uma fotografia maravilhosa. Conta a história do cineasta italiano Guido Contini (interpretado maravilhosamente por Daniel Day-Lewis) que anda com bloqueio criativo e problemas no casamento. Sua esposa Luisa (Marion Cotillard, linda e elegante como sempre) não suporta mais as traições, principalmente com Carla (Penelope Cruz fazendo uma papel bem engraçado). Tentanto entender o que está acontecendo, Guido apela para o fantasma da mãe (Sophia Loren) e de uma prostituta (Fergie) que eles e os amigos conheceram quando crianças. No meio disso tudo ainda aparece Stephanie (Kate Hudson), colunista da Vogue e completamente mal intencionada com relação ao Guido. Muita mulher pra um homem só (e eu aqui sem nenhuma).

      Produção, figurino, músicas. Tudo perfeito, mais ainda em alta definição. Daniel Day-Lewis é um dos melhores atores que já vi, não me lembro de um só filme ruim dele. Seu sotaque italiano está perfeito. Outra que merece confetes é a Marion Cotillard, que depois de Piaf e A origem mostra que sabe cantar.

      Fica a dica para um ótimo filme.

03 novembro 2010

Contato imediato*

Peço por favor
Se alguém de longe me escutar
Que venha aqui pra me buscar
Me leve para passear

No seu disco voador
Como um enorme carrossel
Atravessando o azul do céu
Até pousar no meu quintal

Se o pensamento duvidar
Todos os meus poros vão dizer
Estou pronto para embarcar
Sem me preocupar e sem temer

Vem me levar
Para um lugar
Longe daqui
Livre para navegar
No espaço sideral
Porque sei que sou

Semelhante de você
Diferente de você
Passageiro de você
À espera de você

No seu balão de são joão
Que caia bem na minha mão
Ou numa pipa de papel
Me leve para além do céu

Se o coração disparar
Quando eu levantar os pés do chão
A imensidão vai me abraçar
E acalmar a minha pulsação

Longe de mim
Solto no ar
Dentro do amor
Livre para navegar
Indo para onde for
O seu disco voador


* Música do Arnaldo Antunes

02 novembro 2010

Eu

Eu
Ápice e abismo de mim mesmo
montanha russa de frágeis incertezas
me exponho e então implodo
e explodo por conta de fracos pávios:
palavras desmedidas de consequencias imensuráveis.

Eu
Um big bang
expansão instantânea de ser
limitado por minha propria infinitude.
Em minha maior parte, desconhecido
e ainda assim feito de matéria e energia
que em algum momento pode brilhar.

Eu
início e fim de um caminho
eterno desencontro entre ser e (não) estar
soma das partes de um conjunto unitário
inteiro partido, mas sem restos.

01 novembro 2010

No mais

      Vou assistindo meus filmes, ouvindo minhas músicas, respirando meus ares. Vou sendo e, ainda tendo sido, não mudou muita coisa.

      Escrevo nos meus cadernos, guardando na mente falha, perdendo parte de mim por simplesmente não saber como me preservar.

      No mais, vai tudo em paz.

26 outubro 2010

Tocando em frente

      O tempo vai passando, o mundo vai rodando, as coisas acontecendo...

      Queria ter novidades boas pra contar. Queria ter alguma coisa interessante pra escrever. Queria ter alguém comigo pra ser mais feliz. Pena que não tenho tudo que quero.

19 outubro 2010

Mistério do planeta*


"E pela lei natural dos encontros
Eu deixo e recebo um tanto
E passo aos olhos nus
Ou vestidos de lunetas,
Passado, presente,
Participo sendo o mistério do planeta."

* Música dos Novos Baianos

14 outubro 2010

Cherry booooomb!

      

      Amizade é uma coisa cíclica. Por vezes estamos mais próximos de algumas pessoas, noutros momentos nos distanciamos. Acho que tudo depende do que queremos e do que podemos oferecer.

      Ultimamente tenho andado bastante com uma amiga. Ou melhor, uma parceira. Entre brincadeiras, conversas e otras cositas más, lá se vão dois meses de convívio quase diário. Ela suga minhas músicas, eu me aproveito da rede sem fio dela; ela faz umas besteiras, eu puxo a orelha dela. Eu vou sair e lembro logo de chamar ela; ela marca um horário comigo e se atrasa quase uma hora e não quer que eu fique puto de raiva. Coisas da amizade. kkkkkkkkk.

      Ah, também compartilhamos alguns gostos. Só que eu tenho critérios bem definidos quanto a isso, já ela.... tsc. Mas tenho que aceitar as diferenças, não é? Aqui em baixo deixo uma pequena homenagem a ela. ;)

"Hello Daddy, hello Mom
I'm your ch ch ch ch ch cherry bomb
Hello world I'm your wild girl
I'm your ch ch ch ch ch cherry bomb"

Parabéns pra mim

      Sem maiores comentários sobre minha festa de aniversário. Até porque tem aquele detalhe: se eu não lembro (ou finjo não lembrar), eu não fiz. Kkkkkkkkkkk

07 outubro 2010

Danada*

Se teu beijo tem sabor
Que delícia
Teu abraço, teu calor
Vai me incendiar
Que eu só quero teu amor
Menina
E esse sorriso encantador
Me fascina

Quem sabe eu encontre
Um luar perfeito
Pra te amar
Na beira do mar


* Música da banda Eddie

Vida offline

      Pessoas: estou sem internet em casa. Só tenho acessado durante 4h por dia, no trabalho onde vários sites são bloqueados. Tipo o blogger. Então não tenho tido como atualizar isso aqui. Tem coisas que quero escrever, mas fico na dependência da internet alheia. Como hoje.

19 setembro 2010

Formosa*


Formosa, não faz assim
Carinho não é ruim
Mulher que nega
Não sabe não
Tem uma coisa de menos
No seu coração

Formosa, não faz assim
Carinho não é ruim
Mulher que nega
Não sabe não
Tem uma coisa de menos
No seu coração

A gente nasce, a gente cresce
A gente quer amar
Mulher que nega
Nega o que não é para negar
A gente pega, a gente entrega
A gente quer morrer
Ninguém tem nada de bom sem sofrer

* Do mestre Vinicius de Moraes

16 setembro 2010

Luta

Vai tempo,
vai passando
carregando
o que não é seu
destruindo
o que já foi meu
sem pedir desculpa.

Vai tempo
vai contando
somando
aquilo que te dei
dividindo
o pouco que guardei
sem dar em troca.

Vai tempo
vai sumindo
desistindo
do que não tem volta
permitindo
que minha revolta
seja plena.

Acabou, tempo
já não da mais
dessa guerra
eu espero a paz
então me diz
como se faz
pra derrotar a fera.

14 setembro 2010

Morangos e vinhos na madrugada adentro

"Eu sei o que você quer
não adiantar disfarçar
peça o que quiser
não se limite enquanto estiver
me sentindo em você.



Um vinho, por favor
que a noite será longa
mas nada de taças para brindar
eu quero provar
o vinho na sua boca
na sua barriga
entre suas coxas.

A cada gole
um desejo:
a cada seu,
um meu
a cada você,
um eu.
Sem pressa
invadindo.

Sussuros, gemidos, rangidos
nossos sons na madrugada
não me importa mais nada
que já não esteja aqui.



A cada mordida, um pedaço
Vermelho, suculento e molhado
de mim ou de morangos roubados
me faça sentir santo
queimando de tanto pecado.


És poço, és rio, és mar.
Me afogue e não se afaste
me apague o fogo
e logo serei eu
a te fazer suar.

A distância é tão enorme
que se perde no meio de nós

e será meu corpo que pesará sobre o teu
enquanto dorme."

Trincas

É pouco
é tudo
é nada.
O ir
o vir
a estrada.
O partir
o chegar
a alvorada.
Subir
descer
escada.
O ter
o ser
a sorte.
A dor
Amor
a morte.

Decomposição

Ferida aberta
expondo as entranhas
e tão estranhas são as vísceras
ardidas pelo vento que sopra
inflamadas pelo sangue que pulsa
doídas pelo desejo que clama
enquanto o corpo se desfaz
numa cama.

Convulsas idéias de viver
no pretérito sem futuro
a cabeça nos pés
o coração no chão
uma infecção, um colapso
inspiração, expiração
arrancado um pedaço.

12 setembro 2010

Represamento

      Tenho coisas a dizer. Quero dizer coisas. Mas alguma coisa faz com que eu só consiga pensar e querer, sem de fato fazer. Mais tempo, menos tempo qualquer coisa acontece. Esse papo já tá qualquer coisa, ele já tá pra lá de Marrakesh.

      Cada dia me acontece algo que acho que seria interessante compartilhar, mesmo que seja para ninguém. Interessante como a internet lhe permite se comunicar com o mundo quase todo e ainda assim você fala e escreve para o nada.

      Tenho matutado uma tese: o que me levou a criar um blog foi o fim de um relacionamento; com o fim de outro relacionamento finalmente minha mente se livrou de algum tipo de amarra, de trauma que a fazia se focar em externalizar quase todas as emoções. Eu vivia mais pra fora (via tudo como algo a se escrever no blog), do que para dentro (sentindo, absorvendo e refletindo as sensações).

      Por causa disso tudo tenho que me encontrar novamente como uma pessoa que escreve, que demonstra, que compartilha. Não está sendo fácil. Não haverá promessas, mas haverão tentativas de fazer algo bom.

03 setembro 2010

Ainda tenho...

      Ainda tenho muito de você comigo, ainda te carrego pra onde vou. Não vou me livrar disso tão cedo e não quero jogar fora por jogar. Vou aos poucos separando o que quero e o que não quero, o que devo deixar pra trás e o que vai ser sempre meu.

      O que acabou não significa que chegou ao fim.

29 agosto 2010

Viver é preciso

      Viver não é fácil, não tem roteiro e termina sempre na morte. E, ainda assim, é algo maravilhoso.

      Não viver correndo, não viver só para cumprir obrigações. Tem horas que é preciso parar pra viver. Esquecer que o mundo gira e que o tempo passa ainda que se saiba que não é possível parar o mundo nem deter o tempo.

      Seria maravilhoso viver todos os dias como nesse final de semana, onde até o que deu errado resultou em ótimos momentos. Mas acho que se fosse assim eu não daria o devido valor às pequenas coisas que acontecem a minha volta e me deixar melhor.

      Não preciso de um exército de amigos para me deixar alegre de verdade, aquela alegria que dura e perdura. Preciso só de alguns. O momento vai dizer quais.

      Uma praia. Um rio. Pessoas legais. Um pouco de álcool. Várias histórias pra contar e uma coisa em comum: saber que são de dias assim que nos lembramos pra sempre.

25 agosto 2010

Vitorioso adormecido

Ele tem
mania de ser João Ninguém
vivendo a esperar o fim
pensando que tudo vai se acabar
simplesmente assim.

Ele vai
sendo negativo, mas não cai
e aos poucos ele ganha e cresce
ele sabe que é um vitorioso adormecido,
mas não reconhece.

Um cara como você
que nasceu para vencer,
tem que querer viver
intensamente
como a lava quente
que amedronta a gente
e que nos faz temer
erupção
como num coração
que explode em emoção
a uma paixão nascer.

Vitorioso adormecido
não espere o fim
Acorde agora, vá embora
a vida é assim!


Música do Nevilton dedicada a alguns amiguinhos e amiguinhas precisando de um empurrãozinho na vida. ;)

22 agosto 2010

O que foi não pode ser mudado

      Estou tremendo. Um frio que me congela por dentro, uma sensação que queria não sentir mais. Mas sinto. Não me sinto como a alguns minutos atrás.

      Sentimentos não se comparam. O que represei de alegria em várias horas se esvairam em um segundo. Sem volta. O que foi não pode ser mudado.

      Qual a saída? Qual o caminho? Não sei prever. Porém algum será escolhido.

      É frio aqui. Por fora. Por dentro.

      E não quero me iludir com o calor de uma fogueira, quero aprender a me aquecer.

20 agosto 2010

Labutando

      E eis que estou na minha segunda semana de trabalhos caseiros forçados. Desde que a empregada pediu alforria, sobra pra mim aquelas tarefas agradáveis de varrer, lavar, limpar, guardar, etc. Ah, ainda tem que cuidar do cachorro, do aquário, comprar o pão. Cansei.

      Como eu tenho muito tempo sobrando e bastante disposição, ainda tenho que ficar de motorista da casa depois que meu pai fez uma cirurgia corretiva no olho. Cada vez que ele vai ao médico fazer revisão, pede pra dar uma paradinha em algum lugar (sempre é pra ser rápido, de acordo com ele). Acabo acordando mais cedo do que quero e passo o dia com sono e preguiça. A tarde fica para meus afazeres profissionais. Quero ver agora dizer que eu não faço nada da vida. =P

18 agosto 2010

Frevo de saudade

"Quem tem saudade não está sozinho
tem o carinho da recordação
por isso quando estou mais isolado
estou bem acompanhado com você no coração

Um sorriso,

um abraço e uma flor
tudo é você na imaginaçao
serpentina ou confete, carnaval de amor
tudo é você no coração
você existe como um anjo de bondade
e me acompanha nesse frevo de saudade."

11 agosto 2010

Chá de boldo

      Um certo dia, você recebe uma mensagem avisando de uma exposição fotográfica. Se interessa por fotografia, pelo tema e por quem fez as fotos: sua (sempre) professora de fotografia. Chega o fatídico dia, se apruma e vai ao evento.

      Chega cedo, para pegar toda aquela pequena cerimônia de elogios e apertos de mão, além de sentir um pequeno nervosismo no ar. Quer falar com sua professora, mas ela está cercada por tudo quanto é tipo de gente: das emissoras de TV, da polícia (tema da mostra), dos políticos (eleição é daqui a pouco), alunos, ex-alunos e admiradores. Enquanto isso, vou vendo as fotos. Todas em P&B, de treinamentos e ações práticas da polícia. Não deveria, mas uma e outra chega a ser engraçada. As fotos estão ótimas. Estou tranquilo e calmo quando...

      ... uma pessoa me chama e pergunta: "Você pode dar uma sonora sobre a exposição?". Sou uma pessoa avessa a minha própria imagem, mas não tenho vergonha. Como acho que a Isa merece isso e mais da minha parte, fui lá fazer esse sacrifício. Duas perguntas da repórter, duas repostas curtas (aprendendo com o Twitter). Vai aparecer amanhã, às 8h em algum programa da Record local. Provavelmente não verei, mas fiquem a vontade.

      Pouco depois a pessoa que lhe chamou chega, atrasada mais de hora. Começa a sessão comentários sobre as pessoas. Nada de falar sobre fotos, isso é pros fracos e não iniciados. Depois conseguimos falar com a Isa, que ficou mais a vontade em poder falar com gente que nem ela. Então começou a parte que teoricamente deveria ser a melhor: os comes e bebes.

      Refrigerante, uísque, pro-secco, água. Canapés váriados. Como não estava com fome, tomei dois copos de refrigerante e comi dois canapés. Depois de duas horas e meia por lá, fui embora.

      A noite passou tranquila como deveria, até hoje pela manhã cedo. O intestino acusou o golpe e não teve jeito: dia de rei pra mim hoje. Não sei dizer qual dos dois meliantes foi o responsável ou se a ação foi conjunta. Só sei que estou aqui, sorvendo chá de boldo para apaziguar os fatos internos.

10 agosto 2010

Mira ira - Karina Buhr


Tá tudo padronizado
No nosso coração
Nosso jeito de amar
Pelo jeito não é nosso não
Tá tudo padronizado

Me mira ira

Me mira mas me erra

Mas minha mira me era confusa

Mudando meu amor de endereço
Fria
Não mira ira
Não miro mas te acerto no peito
Quando mudo meu amor de endereço

Me mira ira

Me mira mas me erra no escuro
Sentindo teu amor profundamente

09 agosto 2010

Passa tempo

      Livros, revistas, músicas, filmes, tocar violão, jogar videogame e até ajudar na construção de casa alheia. Tudo isso tem servido de distração para um mente angustiada por bastante coisas. Como não vou conseguir resolver todas agora, vou aliviando minha barra.

      Sempre gostei muito de ler, mas no geral eram revistas somente. Esse ano retornei aos livros, que pra mim são mais prazerosos que notícias impressar ou a maioria das reportagem. Nesse momento estou terminando de ler a trilogia de cinco livros do Guia do Mochileiro da Galáxia. Tenho preferência por livros de ficção, mas não me limito a eles. Ah, algumas HQs também são maravilhosas (Scott Pilgrim é das melhoras que já li).

      Já falei aqui algumas vezes e repito: não vivo sem música e tenho uma particular satisfação interna quando ouço algo novo e bom. A Tempinho atrás fiz um post sobre o que andava escutando ultimamente e acreditem, já mudou bastante.

      Parei um pouco no ritmo dos filmes, depois de uma maratona de 100 títulos, porém não deixo de ver um e outro de vez enquando. Estou devendo postagem sobre os filmes já assistidos e acho que ainda leva tempo para eu escrever sobre isso. Se eu realmente escrever...

      Meu irmão tem um nintendo Wii que pego emprestado pra jogar com meus amigos. A idéia não é ver quem é melhor ou não, mas sim rir um do outro. E sempre dá certo. =D

      Sabe aquilo que falei de tocar violão? É brincadeira, eu não sei fazer isso direito. Então pulemos essa parte. kkkkk

      Por último, mas não menos importante, a construção da primeira casa do que vai vir a ser uma comunidade (quem sabe eu não acabo indo pra lá também um dia?). Carregar tijolos e telhas, cavar buracos e desfazer algum serviço mal feito. Entre uma coisa e outra (também durante, hehehe), uma cervejinha ou coca-cola, uma churrasco e muita história pra contar.

      E sabe porque sei que isso funciona? Enquanto eu escrevia isso, fiquei com um sorriso no rosto. =D

03 agosto 2010

Ser e sido

Faz-me rir, sorrir
chorar

Faz-me ir, voltar
ficar

E nunca me encontrar.

Me deixe ser, sentir
sonhar

Me deixe querer, poder
sem me podar

E seriamos começo
meio
enfim...

31 julho 2010

Do outro lado


"Atravessar a rua parece ser uma tarefa fácil. Afinal, fazemos isso todos os dias, uma tarefa rotineira. Mas parando bem pra pensar, envolve muitas decisões em pouco temos e só somos capazes de fazer devido à prática frequente. Estamos condicionados.

Primeiro, tem que se saber pra que atravessar a rua. Pode ser por necessidade, por insatisfação com o lado de cá, pode ter outra motivação. É preciso pesar o risco de atravessar com o ganho que o outro lado dará.

Segundo, é calcular a passagem. Carros, motos, bicicletas. Obstáculos variados. Buracos na pistas, poças de água e/ou lama. E aí temos que andar mais um pouco para atravessar a rua ou desistir.

Terceiro, o andar propriamente dito. Tem pessoas que são displicentes (que os outros se virem pra não acontecer nada comigo), outras são zelosas demais (pode aparecer um carro do nada na rua). Atravessar correndo nunca deve ser a primeira opção (tropessos à vista) e lugar de desfilar é na passarela. Ah, existindo faixa na via, SEMPRE cruze a rua por ela. Se não é garantia de segurança total ao menos pode render uma bom indenização."

Agora tenho que ir. Preciso atravessar uma rua.

27 julho 2010

Tempos idos

      Hoje fui mais cedo ao trabalho, então não deu tempo de tomar café da manhã. Lá pelas 9h bateu aquela fome matinal e eu fui exterminá-la numa das lanchonetes que ficam lá no estacionamento.

      A dona da birosca, popularmente chamda de Galega, tem um mal gosto musical notável. E vá você pedir pra baixar o volume... Ela vem logo falando todas e mais algumas. No momento em que sentei no banco para pedir meu lanche, escuto a voz inconfundível de Roberta Miranda. Não me lembrava a última vez que tinha ouvido alguma música dela que, para mim, é ruim é beça. E isso não me impediu de sentir um pouco de nostalgia. Sabe de onde? Do Pelourinho em Salvador. Você pode estar se perguntando como isso pode acontecer e eu tentarei explicar a partir do próximo parágrafo.

      Minha família por parte de mãe é toda baiana, mais precisamente de Salvador. Meu avô, filho de portugueses, desde sempre teve uma pequena fábrica de carimbos e placas metálicas numas das várias ladeiras que forma o Pelourinho. Quando ia de férias pra lá, sempre me levavam na fábrica. Meu avô morreu quando eu ainda era muito novo, então meu tio (que também é meu padrinho) assumiu o negócio. Como a fábrica ficava numa região menos visitada do Pelô, era possível encontrar a população que vivia naquelas redondezas. Pessoas simples, bêbados, malandros, prostitutas, moleques. Eu me divertinha vendo todos passarem, da janela do 4º andar do Bola Verde (apelido do prédio onde ficava a fábrica).

      Depois de alguns anos, meu tio mudou a fábrica de imóvel, mas ainda ficava no Pelourinho. Foi nessa época que morei por alguns meses em Salvador, pois tinha passado no vestibular da UFBA (abandonei no final do primeiro período e voltei pra Aracaju). Quase sempre passava pela fábrica, conversava um pouco depois ia pra casa. Nesse meio tempo, ficava ouvindo as músicas de um sapateiro que tinha a loja em frente à do meu tio. Nelson Gonçalves, Agnaldo Timóteo, Nelson Ned e... Roberta Miranda. Basicamente era isso que ele colocava pra tocar na maior altura, para quem quisesse e quem não quisesse ouvir. Acha a maior graça naquilo, mesmo odiando a maior parte das músicas.

      Foi um tempo bom da minha vida. Cidade diferente, pessoas diferentes, sotaque diferente. Gostava de caminhar a esmo pelo Pelourinho, subir e descer o Elevador Lacerda, ir no porão do Mercado Modelo. No fim da tarde, um sorvete ou picolé. E depois voltar pra casa caminhando pelos altos de baixos de Salvador.

16 julho 2010

Efêmera


Vou ficar mais um pouquinho
Para ver se acontece alguma coisa nessa tarde de domingo
Hoje é o tempo preu ficar devagarinho
com as coisas que eu gosto e que eu sei que são efêmeras
e que passam perecíveis
e acabam, se despedem, mas eu nunca me esqueço

Por isso eu vou ficar mais um pouquinho
Para ver se eu aprendo alguma coisa nessa parte do caminho
Martelo o tempo preu ficar mais pianinho
com as coisas que eu gosto e que nunca são efêmeras
e que estão despetaladas, acabadas
Sempre pedem um tipo de recomeço

Vou ficar mais um pouquinho, eu vou

Vou ficar mais um pouquinho
para ver se acontece alguma nessa tarde de domingo
Vou ficar mais um pouquinho
para ver se eu aprendo alguma nessa parte do caminho



Linda música da Tulipa Ruiz.

15 julho 2010

Basta!

Basta!
Basta de sentir esse não-sentir
Meu coração não é uma bomba
de bater e pulsar!
Meu pulmão não é um saco
cheio de vácuo!
Quero meu sangue de volta
quente, correndo nas veias
Vitae!
Eu quero querer
e não querer também.
Coração, exploda!!!
Eu sei
Eu sinto
Eu te amo.

13 julho 2010

Lembrar


Lembra o tempo
que você sentia
e sentir
era a forma mais sábia
de saber
e você nem sabia?

Trecho de um poema da Alice Ruiz

10 julho 2010

Matemática sentimental


      É complexa a arte da relação a dois. Para cada par, uma fórmula nova, novas variáveis e também novos resultados. Analisar os elementos as serem inseridos na equação é tão importante quanto saber as operações impossíveis. Eu trago os meus termos, a outra parte traz os dela e tentamos arrumar tudo. Noves fora, pode dar um intervalo entre 0 e 1. O primeiro representa o fracasso, ao passo que o segundo representa o sucesso. Entre os dois extremos temos a variação mais que comum da relações.

      Amor, amizade, alegria carinho, atenção, saudade (boa) dedicação, juízo, respeito, fidelidade, ciúme, orgulho, tristeza, dor, saudade (ruim). Alguns colocam mais coisas, outros preferem tirar algumas dessas (dizem que fidelidade é para os fracos, por exemplo). No fringir dos ovos, todos tem que queimar neurônios. E gastar paciência.

      Quanto menos fatores nesses cálculos, mais fácil de tudo dar certo. Afinal de (e das) contas, a simplicidade é a solução mais bonita.

Barulhinho bom - parte 2

      Continuando a letra C, a minha cantora preferida das novas que conheci. A Ceumar tem uma das vozes mais doces que conheço. Os arranjos das suas músicas são simples, o repertório dela é bem escolhido e passo horas ouvindo um única musica dela. Escutem "Lá", "Seus olhos", "Banzo", "Maldito costume" ou qualquer coisa que encontrarem.

      Chico Cesar, cantor e compositor paraibano, não precisa de maiores apresentações, acredito eu. Apesar de não estar tão em voga como a vários anos atrás, ainda tem muito a ser ouvido. "Benazir - (ao vivo)", "À primeira vista", "Mand'ela" e "Pensar em você".

      Agora indo para um parte mais independente e alternativa da música nordestina, Cidadão Instigado. Tive o prazer de ver um show deles aqui em Aracaju e foi muito bom. Mistura de rock com um pouco de brega, as letras são muito doidas. Coisa que gostei bastante. "Como as luzes", "Escolher pra quê" e "Os urubus só pensam em te comer".

      Comadre Florzinha, chegou sua vez. Não posso dizer que ela seja uma coisa nova pra mim, pois escuto-a desde 2003. No final do ano passado ela lançou um novo disco depois de anos e valeu muito a pena a espera. Pode escutar qualquer música que é boa. Qualquer uma mesmo.

      Na mesma categorização da Ceumar está a Dea Trancoso. O disco "Tum-tum-tum" é melodicamente lindo. Música que dá vontade de morar num sítio longe da cidade, ficar deitado na rede e se sentir bem. "Canarim do mato" e "Benzim veloso".

      Diretamente do Recife, temos Eddie e seu rock com frevo e/ou maracatu. Enfim, se alimentando da cultura local pra fazer coisa nova. Infelizmente não vi o show deles aqui. "Bairro novo - Casa Caiada", "O baile de Betinha", "É de fazer chorar" e "Me diga o que não foi legal".

      Subindo um pouco de estado, chegamos ao Ceará de Ednardo. Conhece "Pavão misterioso"? Então já conhece algo dele. Escute também "Artigo 26" e a versão de "A palo seco".

      Voltando pra Pernambuco, Karina Buhr fez um belo albúm solo. Cantora, compositora e instrumentista da Comadre Florzinha, experimentou fazer algo diferentes, com outro tipo de sonoridade. Fez muito bem (mas espero que não acabe com o C.F.). "Menti pra você", "Mira ira" e "Virá pó".

      Quem gosta de samba? Eu gosto, principalmente daqueles feitos por causa do amor e da dor. Esses mais animados não são do meu feitio. E adorei Mart'nália. Também tive o prazer de ver um show dela no começo do ano. E pare um pouco de ler isso aqui e ouça "Cabide", "Chega", "Entretanto" e "Pé do meu samba".

      Ainda na letra M, faço todas as apologias ao Mestre Ambrósio, banda que infelizmente se desfez. Pode escutar qualquer coisa deles que vale bastante a pena. "Pé de calçada", "Sois", "Fera" e "Usina (tango no mango)".

      Dando uma pequena pausa na lista. Sei que o texto não tá nenhuma maravilha, mas não teria inspiração pra textos legais pra todos os artistas. E cada hora mais escrevo menos sobre cada um. Kkkkkkkk. Agora imagina falar sobre os mais de 100 filmes que prometi a muito tempo e ainda nem comecei.... Voltando à música.

      Mombojó é do Recife, vem com sotaque e tudo mais. E tem um som mais "low profile", menos agitado. E isso não tem nada de ruim. "O mais vendido", "A missa", "Saborosa" e "Cabidela".

      Tem vozes que são lindas por si só. Outras são bonitas em determinadas situações. É aquela coisa de nem todo mundo canta qualquer coisa e fica bom. Acho que o segundo caso é o Mônica Salmaso. A voz dela é linda demais, relaxante, confortante. Mas ao contrários da Ceumar, que me agradou com vários ritmos e estilos de músicas, a da Mônica só me agradam em canções mais lentas. E cada uma com arranjo mais maravilhoso que a outra. Corra agora mesmo e ouça "Silenciosa" e "A violeira". Depois pode ouvir qualquer outra coisa dela.

      Voltando a Pernambuco, mas saindo do Recife, ten a Orquestra Contemporânea de Olinda, que vai na receita de frevo+alguma coisa. E fica quase sempre legal. "Brigitti", "Durante o carnaval" e "Ladeira".

      Mudando de letra, mas não de estado, Otto. Esse é mais uma redescoberta (estava sem ouvir os discos mais novos dele) que necessáriamente uma novidade. E o som continua bem bacana. "6 minutos", "Crua", "Bob", "Pelo engarrafamento", "Indaguei a mente" e "Lágrimas negras".

      Falar um pouco de uma artista do meu estado. Patrícia Polayne retornou ao circuito musical local depois de anos rodando o Brasil. Seu disco "O circo singular" é ótimo de cabo a rabo. "Arrastada" e "Sapato novo" pra começar, por favor.

      Agora estamos no Rio, com o suingue de Pedro Luis e a parede. Percussão, guitarra e tiradas interessantes nas letras. "Caio no suigue", "Maquina de escrever", "Rap do real" e "Pena de vida".

      Não sei de onde é a Renata Rosa e depois de muito tempo escrevendo esse texto, estou preguiça de procurar. E isso não faz a mínima diferença, faz? As músicas dela me lembram muito os grupos folclóricos de reisados que vejo por aqui. "Brilhantina", "Corta o pau" e "Lá em São Paulo".

(tá quase acabando, faltam dois)

      Não sei se já falei da Tiê. Se falei, tô aqui repetindo; se não falei, estou me redimindo. Escute TUDO dela. Qualquer coisa. Agora!!! "Passarinho", "Assinado eu" e "Te valorizo".

      Pra fechar a lista, um artista alagoano (por opção), coisa que não estou acostumado. Wado é uma grata surpresa do outro lado do São Francisco. "Ontem eu sambei", "Frágil", "Fortalece aí" e "Amor e restos humanos".

      Então, acabou. Pelo menos por agora. Vou criar coragem pra fazer as resenhas dos filmes. Um dia.

09 julho 2010

Inquieto


      Tudo ao mesmo tempo e nada sendo feito direito. Livros, revistas, artigos científicos e textos aleatórios não terminados, músicas que não tocam meus ouvidos, sentidos que não sentem direito. A cabeça e o coração não estão falando, definitivamente, a mesma língua.

      Preciso de foco. Preciso de paciência. E preciso de urgência. Coisas importantes precisam ser resolvidas, umas mais que outras, mas todas carentes de atenção verdadeira. Como só deixar na cabeça não tem surtido efeito, vou partir pro método mais tradicional: fazer uma listinha num pedaço de papel e colar na porta do guarda-roupa.

      Agora, mãos à obra.

01 julho 2010

Barulhinho bom - parte 1

      Acho que tem um bom tempo que não falo de música por aqui, artistas novos que descobri, artistas velhos que voltei a ouvir ou conheci coisas nunca antes escutadas. Vou tentar me redimir.

      Antes de mais nada, vou deixar claro que são estilos musicais diversos, pois sempre gostei de experimentar sons diferentes. Se quem estiver lendo isso tiver gostado dos outros textos que escrevi sobre música ao longo desses anos, não vai se decepcionar. Tenho que também explicitar uma forte influência pernambucana nas indicações e isso se deve em parte aos meus amigos (que moraram ou vão muito ao Recife) que indicam artistas, em parte a minha busca por coisas novas parecidas com o que já gosto. Mas tem artista de Sergipe, Minas, São Paulo, Rio e outros estados também. Além disso, tem artistas estrangeiros, que de filme em filme, de site em site eu vou conhecendo.

      Vou seguir a ordem alfabética da lista de músicas. Começo, então, com o 3 na massa, trio de músicos com características eletrônicas que costumam convidar cantoras para fazer os vocais. Procurem ouvir o disco "Na confraria das sedutoras" e saberão o qual bom é de ouvir. Também tem "Frevo de saudade", com a Céu cantando (essa música não está num disco deles, mas sim numa coletânea).

      O próximo da lista é o Arnaldo Baptista, músico e compositor que começou a carreira nos Mutantes, banda que também revelou a Rita Lee. Som bem psicodélico do anos 60 e 70, com letras igualmente alucinadas. Ou se questionar que vai virar bolor é algo normal?? Escute "Fique aqui comigo" e "Sunshine". São as menos doidas.

      Seguindo em frente, mas mantendo um pouco o estilo musical, temos a Ave Sangria. Confesso que tenho uma queda por essas músicas psicodélicas dos anos 60 e 70, com um som sujo e estranho. Letras legais, ritmo diversificados e um nome bem engraçado (pra mim). "Corpo em chamas", "Hey man", "O pirata" e "Seu Waldir" se tornaram obrigatórias.

      Gosta de frevo? Gosta de músicas com pífanos e flautas? Gosta de músicas cantadas em coro? Então experimenta a Banda de pau e corda. "Pipoca moderna" e "Voltei Recife".

      Cabruêra, roque nordestino arretado e regionalizado. Triangulo, zabumba, guitarra, alfaia. Forró com Nirvana. "Parapoderembolar" e "Batendo o martelo nas mesmas cabeças".

      Completando a primeira parte dessa lista, Céu. A música dela tem batidas eletrônicas, tem samba, tem suingue. Tem qualidade. "Lenda", "Concret jungle" e "Dez contados".

27 junho 2010

Vazio

      Continuo meio distante daqui. Entre falta de internet por um tempo, computador sendo formatado e instalado, falta de saco e festas juninas, não tenho ficado muito tempo no computador e quando tenha fico, faço outras coisas. Do tipo organizar meus arquivos (tarefa de duração infinita).

      Quanto a copa... ela tá acontecendo na Áfrico do Sul, se não me engano. Tenho visto só os jogos do Brasil, mesmo que sem muita empolgação. Já me envolvi com mais vontade em outras copas, mas essa tá devagar. Meu palpite é que a final vai ser, pela primeira vez, um jogo entre Brasil e Argetina. 3 jogadores vão ter fraturas expostas. Não faço idéia de quem leva o caneco nessa batalha. Se o Felipe Melo jogar, acho que ele quebra 2 antes de ser morto. =D

      Tenho algumas fotos pra publicar no outro blog, certas coisas pra escrever nesse. Em breve isso acontece. Pouco depois de desafogar a criatividade, passo nos blogs alheios pra dar uma olhada. Comentar já vai ser algo mais difícil.

18 junho 2010

Caminhos pro interior

      Eu acho que nasci no lugar errado. Mais precisamente, nasci muito perto da praia. Quase sempre sinto uma pequena grande decepção por não ter nascido e criado num interior qualquer, desses pequenos e com alguns problemas. Desses que se cantam em músicas nordestinas de sofrimento e paixão, com seca, asa branca e assum preto, com rosinha, fogueira e são joão. Queria sentir isso que parece que emana do povo mais simples do interior.

      Cada vez que escuto músicas de pés-de-serra, de grupos folclóricos ou de cultura popular daqui, fico encantado, maravilhado. E bato palmas também para aqueles artistas mais modernos que sabem beber dessa fonte. Mestre Ambrósio, Siba, Naurêa e Nação Zumbi são alguns exemplos.

      Queria sentir mais e melhor essa vida de interiorano, de sertanejo. Queria ser mais nordeste.

14 junho 2010

O fole roncou no alto da serra...

      E começou a época mais gostosa do ano. Quando a temperatura fica mais próxima do chão que do sol, quando a chuva chega pra deixar todo mundo mais próximo pra se enquentar.

      Bolo de macaxeira, canjica e pamonha, forró e rojão. Chegaram as festas juninas: Antônio, João e Pedro! Arraiá, quadrilha, arrasta-pé! Fogueira pra esquentar a rua, quentão pra esquentar o corpo.

      Luiz Gonzaga pra todos os lados, Jackson do Pandeiro acompanhando. A maioria das pessoas preferem o nordeste no verão por causa do sol e das praias, mas tudo aqui fica mais bonito é no inverno mesmo. Bandeirolas e balões que o digam...

09 junho 2010

Invernando

      O começo do ano foi quente por aqui, tanto no quesito agitação quanto no quesito temperatura. Só que agora o inverno está chegando e tudo está ficando mais ameno. Aleluia!

      Hoje pude vir ao trabalho de bicicleta, mesmo próximo das 9h da manhã, sem ter que achar que estava numa sauna. Na verdade o vento frio parecia bastante com aquelas do comecinho da manhã, quando o céu ainda está sendo pintado de laranja pelo sol. Só faltou a calmaria...

      E dei sorte em vir de bicicleta, mesmo com todas as previsões de chuva. Digo isso por causa do engarrafamento enorme que estava na pista, causado por duas batidas. Enquanto o povo se estressava e buzinava eu aproveitava o vento no rosto da descida do viaduto. Bem que podia ser assim todo dia...

04 junho 2010

Pausa

      Se eu já andava meio sumido daqui, agora vai ficar mais difícil: estou sem internet em casa.

      Vou aproveitar pra ler mais, assistir mais filmes e ouvir mais músicas. Mas tentarei dar notícias.

      Até mais

30 maio 2010

Questão de gosto

Eu gosto do seu corpo
do cheiro, da textura, da cor
das curvas, das dobras,
do arrepio que ele tem quando
minha boca morde seu pescoço
meus dedos deslizam em suas costas
meu corpo toca o seu.

Gosto do calor
da pele,
dos pelos,
das suas pernas.
Gosto de estar entrelaçados a elas.

Gosto dos vários sabores:
os de fora,
que exalam e entorpecem;
o de dentro
que quando me sirvo
e sorvo,
me embebeda.

Gosto do gosto.
Eu gosto.
E pronto.

27 maio 2010

Diariando

Nasço
vivo
morro
pra no fim das horas renascer de novo.

25 maio 2010

Influenza negativa

      Desde sexta estou gripado. Não tive febre, nem dor no corpo. Já a moleza, a congestão, a dor de cabeça, essas deram sinal de vida desde os primeiros instantes. Isso tudo tem feito minha disposição chegar próximo a zero.

      E isso me impede de tanta coisa. De escrever, de pedalar, de correr, de gritar. De viver.

      Não tem chá de limão, cebola e alho (acrescido de canela, cravo, hortelã) que cure essa malemolência. Preciso de algo que cure a alma.

22 maio 2010

E lá se foi um pedaço de mim...

      O dia de hoje amanheceu mais triste pra mim. Depois de anos e anos de convivência (tantos que nem importa exatamente quantos foram), o poodle daqui de casa pôde descansar de vez. E tenho certeza que vai para o céu dos cachorros.

      Já algum tempo que ele vinha tendo problemas de saúde devido a idade avançada e ainda assim resistiu bravamente ao tempo. Nos últimos tempos ele deixou de caminhar e passou a se arrastar. Nos últimos dias, nem isso, precisava ser carregado. Perdeu peso rápido e parou de comer. Deve ter cansado da vida.

      Fiquei com a incubência de enterrá-lo e acho que o fiz da melhor maneira possível. Apesar de já não ir muito, ele adorava praia. Agora ele vai ficar bem pertinho dela durante muito tempo. Fica em paz, Joy.

19 maio 2010

Receita da vovó

4 medidas de leite em pó
3 medidas de farinha láctea
1 medida de chocolate em pó
2 medidas de Mucilon
1 medida de Neston

Modo de preparo:

Misture tudo em alguma vasilha funda. Pode comer assim mesmo ou com um pouco de água, para embolotar. Bon appetit!

      Enquanto preparo e como a receita, vou me lembrando de coisas da minha infância. Quase uma almanaque anos 80. Ludo, Pense bem, Genius, Comandos em ação, Playmobil. Balão mágico, Trem da alegria, Trapalhões.

      Época boa, de tranquilidades e meninices. Jogar futebol na rua, querer ter um video-game, brincar com o povo da rua. Mas o tempo passa e temos que enterrar tudo isso.

      E, vez por outra, brincar com os mortos. =D

17 maio 2010

Like a million parachutes

Cai a chuva lá fora
milhões de paraquedas
cada gota a me lembrar de você*
Seria saudade, seria desejo?
Não sei...

Se dobrássemos o tempo
juntando as duas pontas da nossa história
o presente e o passado emparelhados.
De onde demos o primeiro beijo
até onde deixamos de ser
Nós
pra nos tornarmos eu e você.

Daquele banco, a visão de um casal
Veríamos as mãos dadas
os passos na areia molhada
os sorrisos e os abraços
e cada uma das nossas lágrimas.
E havia chuva. A promessa.
Meu corpo, seu corpo
um só
separados por nós mesmos
enfim.
Mas não o fim.

Olhando pra trás,
nossos últimos passos
nossas marcas,
o mar se encarregará de guardar.
Nunca serão apagadas.

Um ciclo termina
para outro começar.
O final não se explica
nem se pode mudar
eu só tenho a certeza
de contigo ir a qualquer lugar.

14 maio 2010

Coisas que perdemos pelo caminho

      Ontem eu descobri como é perder alguém. Ontem eu senti como é um pedaço de você, do seu próprio ser, se desprender pra sempre. O tipo de coisa que duvido que até o tempo cure.

      O tempo todo eu tentei lhe* proteger. Você* também me pedia isso. Fui até as últimas consequências por você*. E no dia que falhei, no dia que errei, você* me diz que eu mereço sofrer. Como se não bastasse o que já sofri pelo seus erros. E ficamos assim: eu sofro pelo que fiz uma vez. Uma ÚNICA vez.

      Me reclamou tanto que eu era quase um robô, que não tinha sentimentos. Que eu não me abria com você. E quando faço isso, mereço sofrer. Muito justo, vou cumprir minha pena. E espero que você aprecie bastante seu prêmio, seja ele qual for.

      Agora eu posso ser mais livre, mais leve. Nunca deixei de ser eu, mas posso me desfazer dessa armadura de cavaleiro que vestia por você. Voltei a ser, simplesmente, eu.

      Um eu com o qual você não está acostumada. Um eu que, ao invés de lhe colocar acima de tudo, vai te colocar onde você deve ficar.

      Não neguei pra você, em momento algum, que errei. Eu sei disso. Fiz isso pra lhe proteger, mas agora você não precisa mais da minha proteção. E só eu tenho que carregar o peso da condenação moral. Como você falou "De mim você espera essas coisas. Mas de você... eu não esperava isso". Meu problema foi ter sido muito certo com você. E é isso que você me diz que foi jogado fora.

      Então façamos assim: vamos nos julgas pelos nossos erros. E cada que carregue a pena que merece.

09 maio 2010

Vanilla Sky

      "Uma noite comum. Tinha tudo para ser uma noite comum. Mas noites comuns eram para pessoas assim... comuns. E nós nunca fomos dessas.
      Era pra ser um filme comun. Desses que se vê normalmente. Mas esse não era um filme comum. Era daqueles que dão problema e não conseguimos terminar de assistir. Então resolvemos conversar.
      Era pra ser uma conversa normal. Dessas que duas pessoas conversam sem pensar. Mas conversas normais não são com a gente. Conversa vai, conversa vem, resolvemos escutar música.
      Eram pra serem músicas normais. Dessas que as pessoas escutam o tempo todo, mas as músicas só são normais para pessoas normais. E nós não somos assim... normais. E as músicas foram tomando conta da gente.
      No mesmo chão onde morri, eu renasci. Com todo ardor que a vida é capaz, os momentos foram se desenrolando para logo depois se encaixarem. Pernas, braços, mãos, bocas. Uma profusão de sensações, perfumadas de baunilha. Fomos até onde nossa vontade permitiu, e ela não era pouca. Fomos até onde nossos desejos alcançaram, e eles foram longe. E nem de perto chegamos onde poderíamos chegar.
      Entre uma canção e outra, entre um momento e outro, fomos no permitindo, fomos nos contendo. E lembro de uma refrão: "What's simples is true". Sejamos simples para que sejamos, sempre, verdadeiros..."

05 maio 2010

O telefone tocou novamente...


      ...e me trouxe um sopro de esperança, de onde eu não esperava. Um sopro tímido, sim; mas que me refrescou a cabeça e me aqueceu o coração.

04 maio 2010

Uma escolha

"Tinha uma grande decisão adiante: para onde iria sua vida? A decisão era dele. Não poderia culpar as cirscuntâncias ou a pressão dos colegas. Era dono de si, e inteligente o bastante para perceber isso."
Trecho do livro "Artemis Fowl e a Vigança de Opala".

      Já faz tempo que minha vida pegou um rumo estranho. Não sei exatamente quando nem como isso aconteceu. Parafraseando Chicó, d'O Auto da Compadecida: "Só sei que foi assim".

      Não é o tipo de mudança que se percebe quando se acorda ou quando se dá uma topada. É algo gradual e imperceptível que quando acumulado se transforma numa montanha. E fui eu quem criou a montanha. Agora sou eu quem tenho que dar cabo dela.

      Sei que apatia não é algo fácil de se vencer, principalmente sem um estímulo novo e duradouro o suficiente para dar uma guinada. Mas cansei da minha vida como está. Vou correr atrás do que é meu.

      Quero dormir hoje e acordar diferente. Mais disposto. Mais ativo. Enfim, mais vivo. Nada como uma boa morte para dar valor a vida.

02 maio 2010

Lírios d'água*

      "Uma noite comum. Tinha tudo para ser uma noite comum. Mas noites comuns eram para pessoas assim... comuns. E nós nunca fomos dessas.

      Era pra ser um filme comum. Desses que se vê normalmente. Mas esse não era um filme comum. Era francês, arrastado e meio chato. Só que uma cena fez valer o filme. E mudou a noite.

      A cena era pra ser uma cena comum. Dessas que tem em todo filme e ninguém presta atenção. Falava de morte. Tetos. E do que fotografamos na retina no instante em que morremos.

      Deitados no chão frio de uma noite comum, conversávamos sobre alguma coisa comum. Dessas que pessoas comuns conversam. Mas não éramos comuns. Eramos nós dois. E eu podia esperar tudo quando estamos juntos. Até um nada.

      E então perguntei o que ela queria fotografar na retina quando morresse. Ela não queria tetos. Queria um céu estrelado, com lua cheia. Num lugar que a deixasse em paz.

      O que você gostaria de estar ouvindo? A não sei. Acho que "Lara's Castle". Pere, tenho aqui no meu Ipod. Ei, vamos morrer juntos?

      Claro, vamos. (Com ela eu iria a qualquer lugar.)

      Então deitamos no chão frio. A noite fria. Uma coruja no fio, lá fora na rua, nos observava. Fechamos os olhos e cada um viajou na sua imaginação da morte. E a voz da morte era suave, sublime. Enquanto imaginava o que fotografia, senti um toque. Não era frio como a morte. Era tenro, aconchegante. Então a música acabou.

      Aos poucos fui abrindo os olhos, voltando da minha morte. E ainda sentia aquele toque em minha mão. Olhei para o lado e a vi ainda imaginando sua morte e desejando poder entrar na imaginação. Fiquei admirando-a enquanto "morta". E vi aquilo era muito mais que imaginar. Era vida.

      Uma noite comum. Tinha tudo para ser uma noite comum. Mas quem vive de noites comuns já está morto. E nós não somos nem um pouco comuns..."

*Nome do filme que tem a cena que fala de morte. E tetos. E fotografias de retina...

A queda e o vôo


Caio, desabo e despenco.
No fim, haverá a dor e o desespero.
Mas algo eu aprendi sofrendo:
É a queda que me faz ter,
por um breve momento,
a oportunidade de ser livre.
E de voar...

Eu

Eu vivo o passo
o traço
a hora
a chegada
a partida
a hora
do se por
e da aurora.

Eu torço o tempo
a linha e o vento
o modo e o ponto
o ontem e o agora
a todo momento

Eu guardo em mim
o começo
o meio
o fim.

29 abril 2010

Apenas o fim...*


Cena final:

Tom: E aí, é isso? Não dá tempo nem de a gente tomar uma água, não sei, um copo d'água...

Namorada: É isso.

Tom: Engraçado... nunca achei que a gente fosse terminar, se fosse terminar, de uma maneira totalmente diferente, sabe? Mais apoteótico; assim, mais grandioso. Tipo final de filme, sabe, com música. Nunca imaginei que fosse ser assim não, de repente, do nada, aqui, sabe? No estacionamento. Sei lá.

Namorada: Você não precisa ficar assim. Isso é só o fim. O que realmente importa já foi feito, a gente já teve nossos momentos especiais. E é isso que importa no fim, ter alguma coisa pra lembrar, alguma coisa pra nunca esquecer. Alguma coisa que não tem fim. Eu vou indo pra lá, você vai tentar ir pra alguma aula?

Tom: Não, agora não dá mais. Eu vou sentar ali e te ver indo embora. Pode ser?
Namorada: Se você não me seguir.

Tom: Não, não vou te seguir. Só vou sentar ali e te ver ir de costas, indo embora. Só isso.

Namorada: Só?

Tom: Só. Pode ser.

Namorada: Humhum.

Tom: E agora?

Namorada: Agora é o resto das nossas vidas.

(Rola um último beijo, Tom senta na escada e vê a namorada ir embora. Enquanto passam cenas do casal, começa a tocar:)

Pois é, não deu
Deixa assim como está sereno
Pois é de Deus
Tudo aquilo que não se pode ver
E ao amanhã a gente não diz
E ao coração que teima em bater
avisa que é de se entregar o viver

Pois é, até

Onde o destino não previu
Sei mas atrás vou até onde eu consegui
Deixa o amanhã e a gente sorri
Que o coração já quer descansar
Clareia minha vida, amor, no olhar

* Maravilhoso filme do Matheus Souza. Saibam mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui. Ou na locadora mais próxima. Já foi?

27 abril 2010

Sobre pássaros, flores e o que ficou pra trás

      O tempo vai passando. Não tenho como mudar isso. E tanta coisa passa pela minha cabeça...

      Me dei o direito e o dever de passar uns dias bem depois que meu namoro acabou. Sempre que esse tipo de coisa me acontecia eu ficava mal, muito mal. Dessa vez resolvi fazer difente. Só que nada iria me impedir de encarar o fato de muita coisa na minha vida acabou. E chegou a hora de enfrentar.

      Chegou a hora de perceber o quanto as flores mudaram de significado. Não são meras expressões de belezas da natureza, ou órgãos reprodutores. Pra mim elas agora são muito mais do que possa escrever. São, de certa forma, parte de mim. E todas as flores me trarão lembranças do que era bom.

      Os pássaros... ah, os pássaros. Não posso deixar de agradecer pelos pássaros. E por ele*. O passarinho que nunca vi, nunca ouvi e que sempre será meu. Nosso.

      Sinto saudades. Das noites, dos braços e dos abraços. Seu sorriso... Sua alegria juvenil. Das músicas que ouvia com você*, do barulho do ventilador. Do banho de chuva que nunca tivemos. Da areia da praia. Da lua.

      Meus planos eram seus, meus pensamentos também. E todo amor que eu poderia oferecer. Mas isso não foi o bastante. Ou talvez tenha sido demais... Um dia, talvez, eu consiga realmente entender. Por enquanto eu tento apenas viver. E isso, agora, é pouco para o que eu esperava.

      Você* me ensinou a sonhar, por mais simples e baixos que sejam meus sonhos. Você* me mostrou um mundo de coisas que eu não conhecia e que ainda não entendo bem. Você* se foi e quis levar tudo. E isso não é justo.

      Não quero pensar no futuro. Porque ainda é difícil não pensar em você.

25 abril 2010

Vazio

      Esses dias ando sem saco para escrever. Não é exatamente falta de inspiração, pois tenho guardado todas boas idéias sobre texto que me aparecem, é preguiça de digitar mesmo. Sabe, não estou com disposição. Simples assim.

      Dessa forma, o espaço aqui fica meio vazio, porém não está abandonado. Em breve uma enxurrada de escritos.

21 abril 2010

Sessão encerrada!


      Desde ontem acabou meu projeto de 100 filmes em 100 dias. Ainda não fiz a contabilidade toda, muito menos ainda escrevi algo sobre a grande maioria deles. Mas em breve eu faço isso.

      Também sei que fiquei de colocar aqui uma lista de músicas. Devido a algumas reviravoltas, parei isso no meio do processo. Retomarei o mais rápido que puder.

      Não me lembro de estar devendo mais alguma. Se lembrarem, é só deixar recado nos comentários.

19 abril 2010

De onde sopram os ventos...


Expira. Expressa, exala. Depressa, sopra.
E põe pra fora o que te sufoca.

Transfoma o que te rodeia em algo que te alimente.
Na expiral do ser, um sopro. Ou um furacão.

Modifique e mude. Seja, também, mudado.
Torne-se um torto, um tonto. Tornado.

Então exploda. A brisa, num vão momento.
De dentro de nós, de onde sopram os ventos...

... para onde sopram os ventos.


O pulmão, a falta de ar. Um sufoco, um engasgo.
No peito ainda cheio de vazio, calado. Cansado. Rasgado

Um alívio. Um tempo, um fôlego. Oxigênio para a alma.
Mas que ar se respira, com um furacão a sua volta?

Então infle e preencha. Se complete.
Absorva o que vier. O que puder. O que será?

A vida nos vive, nos mata. A cada momento.
De dentro pra fora. De fora pra dentro.
Para onde sopram os ventos.

17 abril 2010

Bilho eterno de uma mente sem lembraças

      Voltemos um ano. Abril de 2009. Basicamente é assim que eu me sinto, como se tivesse voltando um ano na minha vida.

      Meu namoro terminou semana passada. Tinha começado bem, mas terminou da pior forma possível. Ele já vinha se arrastando e definhando a um bom tempo, mas acho que não precisava ser do jeito que foi. Agora é tarde pra consertar qualquer coisa, cada um tomou seu rumo. Vou buscar minha felicidade.

      Parando pra pensar na minha vida, me peguei pensando no ano passado. Claro que a situação era outra, porém meu estado de espírito, minha relação com as pessoas a minha volta... está igual a antes de começar a me envolver com minha agora ex-namorada.

      Estou me sentindo bem, me sentindo leve. Ainda tem um pouco de tristeza e essa não vai embora tão rápido assim. Odeio ter que virar a página, só que depois de virada não tenho porque ficar voltando o livro.

      Ficam as lembranças, as memórias. Dessas não tenho porque abrir mão, pois fui eu também quem as criou. Só não preciso carregar comigo um ressentimento por alguém que um dia eu amei.

Clique!


      Pessoal, estou começando hoje um projeto paralelo a esse blog: Sensor sensível.

      Ainda estamos dando os primeiros passos (tem mais gente nessa parada, tá ligado?), mas já tem uma postagem de apresentação por lá e dá pra ter uma idéia do que vai rolar por lá. Desde já agradeço a visita. =D

14 abril 2010

Doce saudade


Do amargo quero distância!
Não lembrar do teus gosto, do teu rosto
me faz sentir mais eu!

Do azedo não quero nem a lembrança
nem a lambança
que causa em meus sentimentos.

Prefiro muito mais o doce,
refrescante mentolado,
que me traz a saudade...

13 abril 2010

Santa chuva

      E a chuva deu um trégua por aqui. Depois de vários dias em que o máximo de secura era uma estiagem de poucas horas por dia, agora temos até um tímido sol.

      Mas porque estaria eu contente com o sol, se bom mesmo foram meus dias de chuva. Não todos, mas a maior parte deles. Há tempos não sentia uma leveza tão grande, como se tivesse me livrado de um fardo. Sei que não foi isso que aconteceu, que ainda tenho muito neurônio a queimar matutando sobre meus últimos dias. Só sei que tudo isso será mais fácil depois desses dias de chuva.

10 abril 2010

Precipitação



      A chuva te trouxe pra mim. Uma chuva fina, uma garoa, que de leve e aos poucos foi alimentando meus sonhos. E foi essa chuva que te fez ficar.

      Outras chuvas vieram. Mais fortes, mais fracas. E cada gota delas nos faziam aproximar, nos apegar, nos querer. Não era mais chuva, era cola, calor e carinho. Era eu e você.

      Então uma tempestade chegou e carregou tudo para bem longe. Desfez, sem chances de disfarce. Derramamos nossas próprias chuvas, nossas lágrimas, nossa dores. E nunca mais fomos os mesmo. Talvez um rio tenha se formado entre a gente, cada vez mais caudaloso, cada vez mais intrasponível. Cada vez menos nós.

      Veio a estiada, a falta de chuva, de águas. E ainda alimentávamos nosso rio, nossas mágoas. Erramos, confessemos. E não soubemos mais consertar nossos erros. Nos perdemos em nós mesmos.

      Voltaram as chuvas, mas não voltamos ao que éramos. E a chuva está te levando de mim... Até quando? Até quanto? Até!

08 abril 2010

Molhado

Pingos, gotas, lágrimas
Que lavam, que levam, que molham
No fim, somente a chuva.
Como num choro
Sem tristeza, sem lamento, sem coragem
Precipitando, precipitado.
Me transborde, me transporte
Me carregue em suas águas
E faça de mim um rio

07 abril 2010

Alguma coisa sobre amor

      Amar é bom. Ser amado também. Mas há muita coisa entre uma coisa e outra.

      O amor, por si só, é lindo. Deixa a vida mais bonita, por vezes dá até sentido a ela. Só que ele não vem só, não existe esse desprendimento do amor com o resto da existência. Queria eu que fosse assim...

      Não serei eu quem vai descobrir a equação de equilíbrio. Inseguranças, ciúmes, expectativas, decepções. Conceitos de vida e de como viver. Tudo isso, quando fora de sintonia, atrapalham, emperram e destroem o amor e o amar.

      É precisa, então, sacrificar um pouco de si. Um braço, uma perna, o orgulho, a paciência, uns amigos e amigas, lugares que gostamos. Não deixamos de ser nós mesmo, só passamos a ser diferente. São raros os amores que se encaixam perfeitamente. A maioria se encaixa, quando isso acontece, a fórceps. Então fica a pergunta: o quanto vale o seu amor e o seu amar? Que sacrifícios você está disposto ou disposta a fazer? Todos temos nossa cota, de acordo com a situação. Talvez o mais complicado seja descobrir o limite.

05 abril 2010

Me against the time

      A contagem regressiva para o fim do festival "100 filmes em 100 dias" está terminando. A defasagem está maior que o esperado e tenho quase certeza que não vou alcançar minha cota, mas me sinto um vencedor por ter assistido mais filmes nesses dias que em praticamente 2009 todo. E ainda tenho muito pela frente esse ano.

      Não sei se vou fazer um listão com notas ou separar pro grupos de qualidade (imperdíveis, bons, medianos e péssimos), muito menos se vou conseguir fazer um comentário pra cada filme. Tive agradáveis surpresas e grandes decepções. Ah, tudo isso está me redendo trilhas sonoras novas.

      O blog anda um tanto impessoal, eu sei. Tenho idéias e sentimentos para escrever, porém ainda não estão saindo naturalmente. Não gosto de forçar, então fica pra em breve.

01 abril 2010

Dia mundial da pegadinha

      Hoje, primeiro de abril, dia internacional da fuleragem institucionada. E não, a final do Big Brother não foi uma pegadinha!

      Não se como essa coisa toda surgiu e nem vou procurar saber. A minha teoria é: o ser humano tem a necessidade insana de mentir. Não exatamente por maldade, mas simplesmente pra tirar onda. Nada melhor que pode fazer isso sem peso na consciência. É quase a mesma coisa da teoria que o carnaval no Brasil dura tanto pro povo não prestar atenção na bagaça que é esse país. Não é a verdade, mas é plausível.

      Não costumo perturbar com ninguém ao logo do dia. E nem reclamo se bricarem comigo, desde que a coisa não vá longe demais. Gosto, sim, de ler sobre as notícias mentirosas, as brincadeiras. Como existe muita gente má humorada nesse mundo, tem sempre que não goste. Paciência.

      Bom dia da mentira pra vocês. =D

30 março 2010

Medpack

      Já fazem alguns dias que ando mole e sem ânimo. Tudo por causa de uma sinusite.

      Eu sei que eu poderia estar melhor, mas como ia advinhar que o antiflamatório que tinha na minha casa estava fora da validade? E nesse meio tempo ainda não fiquei exatamente de repouso como o recomendado. Bem, isso faz parte do processo. =P

      Hoje comprei um antiflamatório na validade e a semana santa vem aí pra eu poder descansar. Já já eu estou bom de novo.

25 março 2010

Origem das espécies


      O tempo mudou, a sinusite chegou. E trouxe com ela a dor de cabeça e um pequena inflamação na garganta, causando um pequeno incômodo. Só que ele foi o suficiente para não me deixar dormir. Então resolvi assistir um filme. O escolhido para a sessão remédio foi Criação, que conta um pouco sobre a vida de Charles Darwin.

      Darwin, para quem não sabe, foi um naturalista (na época dele não havia divisão entre as diversas ciências ditas "da terra e da vida": geologia, biologia, etc.) que lançou ao mundo a Teoria da seleção natural, de forma a justificar a evolução das formas de vida. Para muitos ele foi um divisor de águas quanto ao pensamento humano. Afinal de contas, não se mata Deus à toa. E Deus, àquela época, era o início e o fim de tudo.

      O filme não tenta retratar as experiências, as viagens e os pensamentos de Darwin. Isso seria algo muito extenso para pouco tempo de exibição. O que se vê na produção é como o ser humano Darwin se viu atormentado com tudo que se passava em sua cabeça, entre idéias e alucianções. Mostrava que, antes de tudo, ele era falho. E frágil também.

      Esperava algo completamente diferente, afinal de contas, como estudante de biologia, toda a minha área de estudo se encontra sob total influência das pesquisas de Darwin. Eu imaginava que o filme seria um quase documentário que trouxesse alguma revelação quanto a maneira que o levou a chegar na Teoria da seleção natural. Talvez isso se deva ao fato de eu esperar um dia também fazer uma grande descoberta (quem estuda ou trabalha com ciência e não pensa assim, favor mudar de ramo), então saber como ele fez me ajude a fazer também. Mas o filme quebrou o mito "Darwin" que eu tinha para mim. Agora sei que sou mais capaz de fazer uma descoberta. E sei também que isso só acontecerá se eu superar meus limites.

      O tio Ben, do Homem Aranha, falou que grandes poderes trazem também grande responsabilidades. Acho que Charles Darwin sabia o tamanho da responsabilidade que tinha enquanto escrevia seu mais famoso livre. E quase subumbe a todo esse poder.

      Não sei quanto a vocês, mas para mim esse é um dos melhores filmes da minha vida. Não pela qualidade da atuações (em sua maioria, medianas), mas pelo seu significado a minha pessoa.

24 março 2010

Outonizar

      Aqui na minha cidade só existem duas estações: verão e inverno (já falei disso algum dia). Dizem que elas são bem definidas, mas esse ano foi um tanto quanto exagerada essa definição.

      O verão está cada vez mais quente, reclamei muito disso por aqui. Ao menos não tivemos racionamento esse ano. E ele, o verão, acabou em alguma hora da tarde desse último sábado e começou o outono. Como isso aqui não existe, começou o inverno mesmo.

      A transição foi bem marcada: sábado pela manhã. sol forte e calor. Durante a tarde, nublou. A noite, uma tempestade. Simples assim. Desde então chove tode dia, por vezes, pouco; noutras, bastante.

      Uma coisa é boa nisso tudo: a temperatura diminuiu razoavelmente, passando a níveis aceitáveis. O ruim é que passeio de bicicleta virará algo complexo de acontecer.

23 março 2010

Primeiro passo de uma longa caminhada...

      Ontem fui na universidade tentar começar a resolver meus atrasos para me formar. Sei que já falei isso outras vezes aqui, mas ao menos dei o primeiro passo. A jornada vai ser longa e cansativa, e eu ei de terminá-la.

      Ainda não é colocar a mão na massa. Ou melhor, na lama. Primeiro tenho que desatar uns nós burocráticos, além de me explicar para minha orientadora porque levei quase 3 anos para fazer minha mono. É mais tempo que uma gestação e um partoo, eu sei. Mas tenho lá meus motivos.

      Espero essa semana estar com tudo resolvido, para realmente dar início depois da semana santa. Aguardem notícias.

21 março 2010

Chuva na janela

      A programação do final de semana não foi exatamente a esperada, mas nem tenho muito o que reclamar. Só de uma coisa: meu irmão.

      Tem um site sobre cinema, HQ, videogames e otras cositas más chamado de Judão. Um dos lemas de lá é: gordo só faz gordice. Meu irmão mais novo é gordo. O resto da associação eu deixo pra vocês fazerem. ¬¬

      Havia somente ele em casa a noite. Começou a chover alucinantemente. A janela do meu quarto aberta. Ele jogando videogame. O barulho alto da chuva caindo. Aperta botão, direcional. Pausa pra ir no banheiro. Um quarto cheio de água, cama encharcada. Claro, não era o dele.

      Cheguei em casa tarde, pensando em tomar um banho e descansar, mas que nada. Tinha quase 10l de água pra tirar só do chão do quarto, fora o colchão ensopado. Ainda bem que um travesseiro fugiu do dilúvio. Pior de tudo é perguntar porque ele não foi ao menos olhar se as janelas da casa estava fechadas e ele dizer que "Sei lá". Na próxima espero que queime o videogame dele.

19 março 2010

Correndo atrás do texto perdido

      Bem, como tinha dito alguns dias atrás, estou voltando a minha vida de blogueiro. Por completo.

      Escrever aqui não é só jogar palavras. Tem o feedback também, sentir um pouco pelos comentários. E por isso comento no blog alheio, sempre que acho que cabível. Não tenho tanta blogs listados porque agora só listo o que leio e comento.

      Já fiz amizades por causa do blog. E agora estou vendo serem criadas novas linhas nessa teia cibernética. Vejo duas pessoas que nunca se falaram começarem a se comunicar porque conheceram um o blog da outra através do meu. Isso é bacana demais!!

      Tirei o atraso, li os últimos posts de cada blog e comentei. Agora é manter o ritmo.

17 março 2010

155 anos

      Quase que não sai na data, mas é só pra constar: Aracaju hoje completa 155 anos. Ainda tá em forma, mas se não tomar cuidado, fica acabada. kkkkkkkkkkkk

16 março 2010

All thing must pass

      Ainda ecoam na minha mente as músicas que ando pensando nesses últimos dias. Por elas mesmas e pela fase da vida que elas aconteceram. Sei que isso só vai passar quando eu escutá-las bastante ou se algo de diferente chamar minha atenção.

      Em geral são músicas em inglês (foi na época que comeceu a entender o que elas queriam dizer), de bandas que fizeram muito sucesso naquele momento e que hoje, em sua maioria, não fazem parte mais das atrações mais pedidas ou nem existem mais. O que é uma pena.

      Cada época tem seus conceitos culturais. Os pessoais também mudam ao longo do tempo, mas juro que não consigo entendar as músicas de hoje. É tanta banda "que vai revolucionar" a música, por semana, que acabo nem prestando atenção. Parece que a relação é mais superficial. Tenho que atentar, no entando, para o fato de estar chegando próximo dos 30 anos e saber que sou de outra geração, diferente da que domina agora as opiniões. Então fico com meus clássicos pessoais.

      Atualmente o que mais gosto é exatamente o que menos se fala. São artistas que fazem trabalhos mais introspectivos e menos barulhentos. E desconheço uma única música de muitas bandas que escuto pessoas me falarem. Não é nem questão de má vontade, é que já me acostumei a achar todas iguais. Quando me surpreendo, me alegro.

      Falando nessas coisas todas me lembrei da época que fazia coletâneas das minhas músicas em fita cassete. Sim, sou dessa época. Era um tal de rec+pause, play e stop, fitas de ferro, cromo e mais não sei o que. E que fita comprar? A de 45, a de 60 ou a de 90 minutos? Ah, meu player de fita era muito bom: duplo deck, auto-reverse e nem precisava virar a fita pra escutar o lado B. Sem falar no controle remoto. =D

      Depois disso tudo, vou começar a fazer outra coletânea com essas músicas que passam na minha cabeça. Aí, quem sabe, eu coloque a lista aqui.