17 julho 2009

Eu não me reconheço mais olhando as fotos do passado...



      Reviro, vez por outra, meus baús de lembranças. Eles são guardados em algum lugar onde só eu posso alcançá-los, cabendo somente a mim o direito de abrí-los. Nunca, em nenhum momento da minha vida, deixei-os sem o devido cuidado.

      Nesses baús encontro de tudo um pouco que vivi, que senti, que imaginei. Não existe ordem, classificação ou importância do que está guardado. Sempre que preciso, coloco mais um baú na coleção, esperando o dia em que não terei mais lembranças novas pra guardar e tão somente poderei revirar os baús.

      Vejo, dentro de um baú, uma foto antiga de um passado sem presente. Um futuro imaginário, que não sobreviveu a insustentável leveza da vida real. Como se o fato de existir fosse demais para aquela foto.

      Encontro perdida minha infância, que a tanto passou que se encontra desbotada e rasgada. Talvez hoje, mais do que em qualquer outro momento, eu possa restaurá-la. Não como criança, mas como quem vê de perto crianças crescendo. Um sorriso de alegria e espanto quando se descobre algo novo no seu próprio mundo. Assim são as crianças. Assim sou eu.

      Por baixo de várias pequenas lembranças, um grande quadro. Começou a ser pintado com traços leves e suaves, com cores claras como um dia de primavera. Então que, de repente, o pincel não mais o tocava, o agredia. Tons fortes e escuros, uma tempestade. O quadro foi quebrado sem ter sido terminado.

      E então me dou conta que o passado deve ficar guardado...



"O que passou não tem volta.
Se voltou
foi porque nunca passou.

Das lembranças guardadas
só quero
o que menos espero.

Talvez eu tenha sorte
de ter uma memória forte
para não esquecer
o que sempre quis ser."

4 comentários:

Carolina Pagioli Lessa disse...

Concordo que o passado deva ficar guardado, mas de vez em quando é bom dar uma reviradinha para ver quantas coisas já vivemos e o quanto mudamos desde então!

Beijo

Deise Leal disse...

esses dias fiz uma reforma em meu apt que me forçou a abrir algumas caixas com inumeros retratos. Infância, adolescencia, faculdade, amigos que nem sei mais por onde andam... sabe o que percebi? Em todas as fases da vida ha uma variação nas roupas, no corpo ( mais magra, menos gorda hehehe) mas em todas notei um detalhe em comum, meu sorriso é exatamente o mesmo...
Beijoss

Janaina de Oliveira disse...

nossa ! extremamente tocante, muito bonito msmo! de alguma forma algumas coisas mexem comigo =]

haa eu adoro lembranças, de todo tipo, e gosto da nostagia que mtas delas tarzem.

bjos

Carol disse...

fiz uma das coisas mais dolorosas outro dia desses: retalhei algumas "provas" de momentos de outrora (digamos assim). Ai... como dói.