27 junho 2008

Cachorro rabicó...

Chegou em casa ainda novo, miudinho, miudinho. Mal conseguia se sustentar nas próprias pernas. Era engraçadinho, nas sua falta de coordenação, no seu olhar pidão, no seu grito de fome no meio da madrugada. Eu tinha uns 10 anos quando isso aconteceu.

E ele foi crescendo, nada mais natural. E também foi exigindo mais atenção, mais tempo, mais comida. Só que a vida não disponibiliza isso de graça. Então eu comecei a deixar um pouco de lado suas exigências, fazendo com que outros as suprissem. E ainda assim você estava lá, sempre, para quando eu precisasse.

E eu cheguei aos meus 17, 18 anos. Aquela ponto da vida em que não se quer parar em casa, queremos mudar o mundo!!! Muitas idéias na cabeça, poucas coisas na prática. E era engraçado olhar para você e ver que pouco mudou. Ainda continuava cheio de cabelos, cheio de alegria, cheio de disposição. Claro, já tinha feito suas decisões de vida também. E era feliz assim.

O tempo passou. Para mim e para você. Tudo bem, mais rápido e impiedoso para você. Já não eramos mais os mesmos. Muito havia se passado entre nós, pouco tinha ficado. Nossos temperamentos nunca se encaixaram. Nem por isso deixei de gostar de você e você de mim.

Vejo, agora, que você já está chegando no seu crepúsculo poente. O peso do tempo é visível em ti, não há o que fazer. Eu fico me perguntando se poderíamos ter dado certo de alguma forma. Mas essas indagações não param o tempo, nem mudam a realidade. E assim vou esperando o tempo passar...





PS: Esse texto é dedicado ao poddle lá de casa. E o título do texto é uma música de uma antiga banda segipana devidademente chamada de Please No!

6 comentários:

Elenita de Castro disse...

Sabia que era um cachorro. Soube desde a primeira frase. Lembrei da minha cadelinha, sabe? Ela chegou aqui miudinha também, uma bolota panda de pêlos. Não se sustentava nas patas de tão gorda. Dormiu comigo na primeira noite. Na minha caminha, com a minha camisa de cobertor... Também foi a única vez que eu deixei ela subir na cama. Sabia que depois dali viraria costume e coisa feia a gente não pode deixar acostumar pra tirar depois.

Ela continua aqui. É uma sheepdog (raça da priscila da tv colosso). O que tem de linda, tem de carente. Pede carinho com a patinha e passa o dia dormindo. Parece demais comigo. Ahahaha

Tâmara disse...

Ai que texto lindo....
Será que algum dia eu consigo escrever alguma coisa assim para os meus cachorros?

bejos beijo beijos

Júlia disse...

E o q é q Joe arrumou desta vez pra merecer tamanha homenagem...
O texto é mesmo a cara de vocês dois...
Se vcs teriam se relacionado de outra maneira... acho q não.. ele ocupou seu lugar ,e até vc o dele... vai entender né.. coisas de casa!!
Beijos pra vc, e carinhos pro velho ceguinho...

Graziele Alencar disse...

Linda homenagem!
Mas não espere o tempo passar!
Beijos.

Jana disse...

Um texto para o poddle... cada coisa.

beijos

Thiago Augusto" disse...

Agora fiquei com o peso na cabeça de não dar a atençao devida a minha cadelinha :|