16 dezembro 2007

"Um dia o menino acordou. Mais um dia como os outros: o sol brilhando, a janela aberta, os sons do mundo entrando. E ainda assim o dia parecia ser diferente. Se levantou para mais um dia. Andou pela casa como sempre, vendo os mesmos pisos, as mesmas paredes. Comeu a comida de todo dia e ainda assim algo estava diferente.


Ele saiu para mais um dia de sempre. O ônibus era o mesmo, as pessoas também. Até o ar nos ses pulmões era o mesmo. E ele seguia achando que algo mudou.


Passou o dia todo com essa impressão. Não o incomodava, fazia ele ver as coisas com uma cor, uma forma diferente. O céu tinha um outro tom, as vozes também. Ele não pensava nisso, somente sentia.


E sentia que apesar de ver tudo diferente, nada havia de fato mudado. Estava tudo como sempre esteve. E talvez nada mudasse enquanto ele vivesse.


O menino chegou em casa e fez tudo o que sempre fez. Nada de diferente. Tudo igual. E ele foi dormir.


Deitado na cama ele pensou, e pensando chegou a conclusão de que se o mundo ainda é o mesmo, ele, não. Então dormiu como todo noite, achando que amanhã o mundo vai ser igual..."

Um comentário:

mairla disse...

essa sensação de que nada muda é estranha pra mim. se eu pudesse deixava umas coisas do mesmo jeitinho pra sempre, sem mudar nadinha.
não dá pra achar que tudo vai ser igual no outro dia, definitivamente. qualquer um pode vir com aquele argumento de que as coisas são fluidas o que é hoje não é mais ontem; e assim vamos mudando o movimento uniforme, é variado!


oO'

apareça mesmo, chatinho ;P